quinta-feira, 15 de setembro de 2016

PELO GERÊS E PELO XURÊS

"Conheces o Gerês?"
"Conheço"
"Huuummm... mas não conheces o Gerês e o Xurês por onde eu te vou levar. Arranja a tua mala" 

E foi assim !


Aproveitando os escapes ainda estarem quentes da viagem por Espanha, "desafiei" a minha estimada pendura para mais uns dias de viagem.

Tinha 3 dias disponíveis e, quem conhece (bem) o Gerês, sabe quem nem esse tempo é suficiente para o ficar a conhecer como deve ser...

Começámos por Caminha...a intenção era atravessar no ferry santa Rita de Cássia mas, por azar, chegámos quando este estava a atracar e, por causa da maré baixa, só pelas 16:00 voltaria a navegar.


Deixámos cair a ida ao Monte de Santa Tegra e percorremos os cerca de 30 kms pela N13 até Valença.

Uma breve volta pelas muralhas e atravessámos o Rio Minho para Tuy onde aproveitámos para uma visita à lindíssima catedral e almoçar... ainda tínhamos os "gostos" habituados a Espanha.  



Vista de Valença obtida dos jardins da Catedral de Tuy

E o destino seguinte era Melgaço mas, porque já "fiz" várias vezes a "nacional portuguesa", dei uma olhada para o mapa e decidimos que, desta vez, iríamos pela "nacional galega"..
E em boa hora o decidimos pois a estrada é lindíssima (tal como a do lado de cá) e deu um enorme gozo percorrer.

Uma pequena paragem em Melgaço, na sua praça central, debaixo dumas frondosas árvores que proporcionavam fresco e sombra onde nos refrescámos com uma "buída"... 

e prosseguimos depois por estradas municipais até Castro Laboreiro.



Não conhecia e, quando passava perto estava sempre apressado ... calhou desta vez, propositadamente 

Castro Laboreiro é talvez a mais emblemática aldeia do Parque da Peneda Gerês. O facto de ter estado isolada durante muito tempo, faz com que tenha características comunitárias únicas. 

Está situada a mais de mil metros de altitude e os seus castrejos defenderam e conservaram os seus costume e tradições aproveitando o seu isolamento.



O Rio Laboreiro, os seus conhecidos cães de raça, os seus montes e o seu património de que destaco a belíssima igreja, são razões mais que suficientes para visitar esta aldeia.

E o destino seguinte era o Santuário da Peneda onde iríamos pernoitar no charmoso Hotel da Peneda.  ⛪

Por entre encostas verdes e íngremes, ora rolando como que pendurados nas estradas que as rodeiam ora descendo aos seus vales mais profundos, íamo-nos deliciando com o "trânsito" que nos interrompia o percurso com a sua curiosidade.











Trovejou durante a noite e a manhã apresentava-se com algumas nuvens que também ameaçavam desabar em água ... fizémos mesmo "render" o pequeno-almoço para que a chuva parasse. 

Prosseguimos até ao Lindoso e depois pela CM 1348 para Germil.




Por estradas onde Deus Nosso Senhor nem seu filho Jesus nunca passaram nem certamente tiveram coragem de mandar os seus apóstolos, ... 



Fomos percorrendo o belo Parque Nacional da Peneda Gerês, aqui e ali detidos por alguns residentes que, pachorrentamente, nos observavam ... 



Como podem ver, as estradas "deste" Gerês são assim ... 


E até o A380 ficou na foto... quem sabe... um destes dias posso querer pô-lo no OLX e esta é uma bela foto 


... e depois para Brufe onde iríamos almoçar n' O ABOCANHADO, famosíssimo restaurante pelas suas ementas, exclusividade e... preço  ... mas que vale a pena sem dúvida.

O local é lindo, o restaurante fantástico e as vistas... fabulosas !!! 


E que tem um arrumador de estacionamento muito "sui-generis"  


Não aceita moedas mas exige umas carícias ... 


Da varanda do restaurante ... a paisagem é belíssima... tal como os modelos 





Era tempo de prosseguirmos até à Barragem de Vilarinho das Furnas, aldeia que ficou submersa e que, quando a cota da barragem está mais baixa, se pode visitar.

E a estrada para lá se chegar é assim ... 









da Barragem de Vilarinho das Furnas, seguimos pela N307 com destino ao Campo do Gerês mas, antes do parque de campismo de Cerdeira, há um estradão que atravessa a mata de Albergaria e percorre a margem da albufeira que é simplesmente ...  sei lá !!!... é lindo !!! 


Parte do seu percurso é a antiga estrada romana que ligava Bracara Augusta (Braga) a Asturica Augusta (Astorga, na província de Leon em Espanha)


Há nesta estrada a curiosidade de lá ter existido uma antiga "pedreira" de marcos miliários.


Nas alterações da crosta terreste ocorridas há cerca de 70 milhões de anos, formaram-se os afloramentos donde os romanos extraiam a pedra para fazer os seus marcos miliários.




esta estrada é lindíssima, convida ao andamento relaxado e percorre toda a Mata de Albergaria até encontrar a N-308 para a fronteira da Portela do Homem.



Um pouco antes da fronteira pode encontrar-se a Cascata com o mesmo nome e muito procurada pelos veraneantes e turistas para um refrescante banho nas suas águas frias e límpidas.



Atravessando a fronteira, eis-nos no Xurês onde visitámos Lobios, uma pequena vila termal conhecida pelas suas águas quentes... quentes mesmo, não são só mornas.




A sua praia fluvial estava muito frequentada e maioritariamente por portugueses 


Bem... o dia aproximava-se do seu fim e o alojamento estava marcado para o Hotel de São Bento da Porta Aberta ... que distava de Lobios cerca de 40 kms.

Pois bem ... "não sei o que me deu" como diz a canção e pus no GPS "São Bento da Porta Aberta"... o primeiro que me apareceu foi "São Bento da Porta Aberta Paredes de Coura".... e vruuummmm por ali fora ... quase 80 kms depois vi que estava equivocado ... 

Não havia hotel nenhum e voltámos para o São Bento da Porta Aberta certo... 

sabia lá eu que há dois São Bento da Porta Aberta ???? 



Chegámos ao Hotel eram já cerca das 18:00 e fomos tratar de arrumar as coisas para então dar uma volta e jantar.

Foto do Hotel obtida depois de jantar e cuja iluminação, em conjunto com a do santuário em frente, conferia àquele frondoso vale um cenário digno de postal turístico.


A igreja está sempre mesmo de porta aberta  o que pude confirmar pois o quarto era mesmo defronte a ela.




Na manhã seguinte, retomámos o caminho... desta vez já de regresso ...


Atravessámos  o Rio Cávado em Entre-Ambos-os-Rios e acompanhámos o seu percurso pela N 304 durante alguns kms.


A marina de Entre-Ambos-os-Rios



Póvoa de Lanhoso, Guimarães, Entre-os-Rios, Castelo de Paiva ...

Na zona da serra de Arouca foi com imensa tristeza que percorremos várias dezenas de kilómetros entre floresta queimada ... 

Há alguns anos que não fazia aquela estrada (M 505) que atravessa toda a serra e recordava-me dela com o verde e o cheiro característico daquela floresta... 


Depois de descermos ao famosos Passadiços do Paiva, uma vez mais com uma parte destruída, uma paragem em Alvarenga para almoçar e descansar um pouco nos bancos do seu jardim aproveitando ainda para conversar com alguns dos seus residentes que mantinham bem vivo o desespero provocado pelos incêndios recentes.




... dali até Castro Daire pela N225 (outra estrada fantástica mesmo !!!! ), Viseu e... casa !!!!  depois de 3 dias de vadiagem 

Bom, resumindo ... mais coisa menos coisa outros 1.000 kms a contar prá revisão do A380, revisitei o Gerês e o Xurês tendo oportunidade de passar por alguns recantos e estradas que não conhecia e o enorme gozo de fazer kms com a minha pendura que, mais dia menos dia, tira a carta e vai ela a conduzir e eu a fazer as fotos. 








Thanks Ana 




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